Quando o REC começou em 2018, a meta não era ter 84 parceiras. A meta era ter três pessoas que voltassem semana que vem. O resto veio porque a parte difícil deu certo.

Deixa eu te contar o que oito anos conectando empresas me ensinou.

A diferença entre networking e comunidade

Todo mundo já foi a evento de networking. Você chega, pega o crachá, troca cartão com alguém que nunca vai te responder no WhatsApp. É transacional. Funciona se você estiver no lugar certo na hora certa, mas depende inteiramente da sorte.

Comunidade é outra coisa. Comunidade é quando você liga para uma parceira às 11h de uma sexta e ela resolve seu problema antes do almoço porque ela já sabe quem você é, confia no seu trabalho e quer que você cresça. Essa ligação não acontece depois de um evento. Acontece depois de meses de presença.

O que separa as duas coisas é contexto compartilhado. No networking você explica quem você é toda vez. Na comunidade as pessoas já sabem.

A regra dos três encontros

Percebi esse padrão depois de alguns anos observando quem ficava e quem sumia.

No primeiro encontro, a parceira está observando. Ela quer entender se o ambiente é real ou performático, se as pessoas se ajudam de verdade ou só falam que sim. Ela não vai pedir nada ainda.

No segundo encontro, ela está testando. Vai interagir um pouco mais, oferecer algo pequeno, ver o que acontece. Ela ainda não se comprometeu.

No terceiro, ela traz alguém. Quando ela traz alguém, o jogo mudou. Ela não traz alguém para um lugar que não acredita. Quando ela indica, ela já é da rede.

Entender isso mudou como facilitamos os encontros. Não é sobre fazer um evento excelente e esperar que as pessoas voltem. É sobre criar condições para que o segundo e o terceiro encontro aconteçam.

O que 84 empresas de setores completamente diferentes têm em comum

Beleza, jurídico, gastronomia, marketing, saúde, moda, contabilidade. Quando você olha para essa lista, parece que não há nada conectando esses negócios.

Mas tem uma coisa. Todas essas empresas trazem mais para a rede do que tiram dela. É a única característica que filtra o pertencimento de forma orgânica. A pessoa que chega querendo só receber indicações sem nunca gerar valor para ninguém simplesmente não encontra tração aqui. A rede não expulsa ninguém, mas ela não alimenta quem só consome.

Isso não é uma regra escrita. É uma cultura que se forma quando as pessoas certas ficam por tempo suficiente.

Comunidade cresce na velocidade da confiança

E confiança cresce na velocidade do tempo presencial. Não tem atalho.

A tentação de automatizar, de criar um grupo de WhatsApp e chamar de comunidade, de medir engajamento por curtidas, é real. Mas a versão que funciona ainda depende de estar na mesma sala que alguém, tomar um café, lembrar do nome dos filhos.

O Network Entre Elas de 2025 reuniu 370 mulheres. Esse número levou oito anos para ser possível. Não existe versão acelerada.

Você está construindo conexões que duram, ou colecionando contatos que esquecerão o seu nome na semana que vem? Às vezes a resposta a essa pergunta muda a forma como você decide onde investir seu tempo.